Antes de adotar um animal de estimação é preciso conhecer os conceitos da Posse Responsável

A falta de políticas públicas voltadas para a questão, atitudes como o abandono e facilidades na hora de adquirir um filhote colaboram para o sofrimento de muitos animais. Conheça os 10 mandamentos da posse responsável

A imagem de um cão ou gato ainda filhote em uma vitrine de pet shop causa comoção e encanta algumas pessoas, que muitas vezes sem se preocupar com as responsabilidades posteriores adquirem um animal de estimação e algum tempo depois o abandonam, ou repassam para outras pessoas.  Para que esse comportamento deixe de se repetir é preciso divulgar os conceitos da posse responsável.  
A Sociedade Mundial de Proteção Animal (World Society for the Protetion of Animal – WSPA) foi criada em 1981 e possui filiação em mais de 100 países. De acordo com a sociedade, a posse responsável deve abrange a relação entre o dono, seu animal de estimação e o meio em que ambos vivem.
Para a WSPA o proprietário de um animal de estimação deve “prevenir os riscos de agressão, transmissão de doenças ou danos a terceiros, que seu animal possa causar à comunidade ou ao ambiente, como interpretado pela legislação vigente”.
Ter uma atitude responsável pode ajudar a diminuir o número de animais abandonados nas ruas e abrigos.

A definição

De acordo com o médico-veterinário e vice-presidente do Grupo de Proteção Animal (GPA)  Jorge Carneiro, “a posse responsável compreende todas as responsabilidades que o cuidador tem pelo animal”. Entre elas oferecer alimento, água, condições de abrigo, atenção veterinária, respeitar a liberdade, não alterar o comportamento do animal.
Em resumo, a posse responsável é o conjunto de “regras para garantir um convívio entre homem e animal de estimação”, explica.

Falta de legislação específica

O GPA trabalha em projetos para divulgação dessas responsabilidades. Para o vice-presidente da ONG, é preciso haver uma legislação específica para o assunto, além de um trabalho educacional com a população.  
“O que a gente precisa urgentemente é uma legislação, políticas públicas voltadas para a posse responsável. Por exemplo, identificação e registro de animais e proprietário. Conscientizar para controle de natalidade animal (castração). Leis que garantam condições de saúde, vacinas, tratamentos diversos. O fato é que enquanto não tivermos essa cultura da posse responsável vamos continuar vendo animais sofrendo. É inconcebível continuar vendo isso”, lamenta.

 CãoX violência

Para o professor de muay thai Dídimo Neto, até mesmo raças de cães tidas como violentas, como os pitbulls, poderiam ser criadas sem problemas se os donos tivessem atitudes mais responsáveis.
“Crio dois pit bulls, um de sete outra de três anos, são animais extremamente sociáveis. Eu crio gatos com os pit bulls, eles comem juntos. Ando normalmente na rua, qualquer pessoa brinca com eles, passam a mão, eles lambem igual quer outra raça de cães. Cachorro é cachorro. Morder um ser humano todo cachorro pode. Se você pega um pincher e um fila, e os confina, todos os dois se tornam agressivos, o que muda é a força da mordida. No caso do pitbull, ele precisa gastar muita energia. Cão deve ser socializado com animais e outros bichos e pessoas. O estresse afeta o animal.”, disse.

Escolher o animal e a raça certa  

O professor acrescenta que é preciso analisar se o futuro dono possui as características necessárias para criar o cão adequadamente.
“A criação do cachorro reflete no comportamento do animal. Por exemplo, um idoso não pode criar um pit bull, pois não vai acompanhar o ritmo do animal Não só os pet , mas os criadores (donos de canis) deveriam alertar os compradores. Muita gente pega o cachorro por impulso. É bonitinho e quando cresce cria problemas. É extremamente importante conhecer a raça.”, enfatiza. 

Dez mandamentos

A Associação Humanitária de Proteção e Bem-Estar Animal ARCA Brasil foi a entidade que consolidou no país o conceito de posse responsável de cães e gatos. A associação criou os Dez Mandamentos da posse responsável. São eles:

1-Antes de adquirir um animal, considere que seu tempo médio de vida é de 12 anos. Pergunte à família se todos estão de acordo, se há recursos necessários para mantê-lo e verifique quem cuidará dele nas férias ou em feriados prolongados.

2-Adote animais de abrigos públicos e privados (vacinados e castrados), em vez de comprar por impulso.

3-Informe-se sobre as características e necessidades da espécie escolhida – tamanho, peculiaridades, espaço físico.

4-Mantenha o seu animal sempre dentro de casa, jamais solto na rua. Para os cães, passeios são fundamentais, mas apenas com coleira/guia e conduzido por quem possa contê-lo.

5- Cuide da saúde física do animal. Forneça abrigo, alimento, vacinas e leve-o regularmente ao veterinário. Dê banho, escove e exercite-o regularmente.

6- Zele pela saúde psicológica do animal. Dê atenção, carinho e ambiente adequado a ele.

7- Eduque o animal, se necessário, por meio de adestramento, mas respeite suas características.

8- Recolha e jogue os dejetos em local apropriado.

9- Identifique o animal com plaqueta e registre-o no Centro de Controle de Zoonoses ou similar, informando-se sobre a legislação do local. Também é recomendável uma identificação permanente (microchip ou tatuagem).

10 -Evite as crias indesejadas de cães e gatos. Castre os machos e fêmeas. A castração é a única medida definitiva no controle da procriação e não tem contra-indicações.

A ARCA Brasil disponibilizou em seu portal o Teste do Proprietário Responsável.

Divulgação da posse responsável

O GPA desenvolve atividades voltadas para divulgação do conceito de posse responsável e controle de natalidade animal. No final deste mês a ONG vai realizar um curso voltado para educadores da rede municipal de Manaus em conjunto com a WSTA. Mais informações podem ser adquiridas pelo  site do GPA. 

A Crítica

~ por clauporto em 19 de maio de 2011.

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